Internet, e depois?

O sociólogo francês Dominique Wolton faz uma análise ensaística concisa sobre os reflexos da tecnologia dentro do processo da comunicação social.

O autor deixa claro sua visão de que não é a tecnologia o fator determinante na comunicação, mas sim os fatores antropológicos, a comunicação se faz dentro da perspectiva das relações entre indivíduos pertencentes à um mesmo meio social. A tecnologia pode oferecer novas possibilidades, mas se faz necessário não perder de vista que o cerne da questão é o lado humano que a relação propõe.

Ele defende a importância de se teorizar a comunicação em torno da sociedade, ao mesmo tempo que é preciso compreender que comunicação e tecnologia se completam, e cada meio midiático exerce uma determinada função, em relação à interação com público e também dentro da ligação que ela ajuda a estabelecer entre indivíduo e a comunidade na qual ele está inserido.

Wolton reforça que a internet e as relações baseadas em meios digitais não irão acabar com as interações humanas, por mais que vivamos em uma sociedade globalizada onde de um certo estamos todos conectados, a vontade de se relacionar diretamente uns com os outros sempre vai existir. Ele encerra fazendo uma referência ao rádio e ao telefone, e força que os dois ainda carregam, justamente por oferecer o contato através da voz, preservando um pouco do princípio mais intimista da comunicação.

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Era da (des)informação amadora

O jornalista faz Andrew Keen faz uma dura análise crítica aos tempos atuais dominados pela Web 2.0, e seu conceito colaborativo e “democrático” de produção de conteúdo. O que Keen chama “culto do amador” criou um quadro em que se é “cada vez mais difícil determinar a diferença entre o leitor e o escritor, o artista e o porta-voz, arte e propaganda, amadores e especialistas. O resultado? A queda da qualidade e da confiabilidade das informações que recebemos”.

No novo modelo estabelecido na internet nos últimos dez anos, somos simultaneamente produtor e consumidor de praticamente tudo que tradicionalmente foi de responsabilidade da chamada mídia tradicional. O autor faz relações diretas com outros escritos, tanto no campo da ficção como Admirável Mundo Novo e 1984, como da não-ficção ao citar T.H. Huxley e Chris Andersen, criticando abertamente a teoria deste último a cerca da “cauda longa“.

Keen critica o fato de que ao entregar deliberadamente o papel de produtor de conteúdo à sociedade de um modo geral, deixa de existir um controle editorial que cheque e garanta um padrão mínimo de qualidade a esse produto. Como ter garantias de que aquele material aparentemente feito de livre vontade é realmente fruto de uma pura manifestação individual sem nenhum interesse, ou que realmente haja verdade ali.

Além da problemática do controle editorial, ele alerta para questões éticas e de interesse privado como grandes grupos empresariais que usam do anonimato da rede para propagar seu marketing e fornecer material disfarçado opinião pessoal, ou mesmo editando páginas como a wikipédia para iludir e enganar a opinião pública. Nessa nova era, nunca sabemos quem está do outro lado e quais as intenções dessa pessoa.

Para Keen a possibilidade da cauda longa oferecida pela internet, acaba por matar financeiramente os grandes veículos de comunicação que perdem anunciantes para sites como o craigslist.org, e perdem audiência para o que é escrito na blogosfera e divulgado no youtube. De acordo com ele, na enorme maioria das vezes, esse material é composto de coisas fúteis que não merecem a atenção atraída.

A Web 2.0 se constitui em suas palavras como um período dominado por conteúdo amador e nichos cada vez fechados em torno de si mesmo. São os tempos onde “o espectador está no comando do espetáculo” e para Andrew Keen isso não tem nenhum ponto positivo.

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Comunicação Digital por Eugênio Bucci

No texto/entrevista de Bucci, o jornalista analisa e contempla diversos aspectos relacionados ao novo mundo digital em que vivemos (e que podemos chamar de cibercultura) e sobre as mudanças que esse meio gerou na comunicação como a conhecemos.

O jornalista começa com uma abordagem de contextualização de como as novas tecnologias estão incrustadas em nossas rotinas. Somos “vigiados”quase o tempo inteiro, e em muitas ocasiões sequer sabemos se estamos sendo ou vigiados ou não, ou pior, por quem estamos sendo observados. Tudo passa pelo plano virtual, nossa vida pode ser acessada por estranhos a qualquer momento.

Bucci também destaca a importância de se perceber os vários níveis de inclusão digital, não basta apenas ter o acesso, é preciso que se compreenda as possibilidades que as ferramentas oferecem e como tirar proveito delas. Ele diz que “não é a tecnologia que muda a sociedade. Nunca foi. A sociedade, ou os movimentos sociais ou as relações sociais, é o que dão sentido social e histórico para a tecnologia”, demonstrando um certo ceticismo quanto as mudanças que a tecnologia e a cultura dos softwares livres podem gerar no sistema capitalista.

Bucci também demonstra pessimismo ao falar da quebra de privacidade citando diretamente o Big Brother de George Orwell como representação do que vivemos hoje.

Ao tratar propriamente de comunicação o autor deixa claro que para ele “a internet não é um meio de comunicação, ela propicia um novo espaço”. E esse tem sido o grande papel da internet dentro da comunicação de massa, fornecer espaços, dar voz, a quem anteriormente não tinha esses espaços e voz. Ao mesmo tempo, o autor explica que mesmo na internet as regulações sempre vão existir, e que o Estado precisa regulamentar o setor de um modo democrático para que não ocorra uma concentração de propriedade e audiência já existentes em outras mídias.

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Quem são os excluídos da sociedade da informação?

O texto de Sergio Amadeu da Silveira busca logo de cara definir o conceito de exclusão digital, dentro da sociedade da informação em que vivemos. Se fazer parte da inclusão digital quer dizer estar dentro de um contexto em que haja a universalização do acesso ao computador conectado à internet, bem como, o domínio da linguagem básica para usá-lo com autonomia, então podemos definir o excluído como aquele que não tem o acesso à rede mundial de computadores, ou não consegue sozinho fazer uso da tecnologia.

O texto expõe alguns números do Brasil dentro desse processo de universalização do acesso, ressaltando que mesmo apresentando bons números absolutos, fruto de nossa gigantesca população, proporcionalmente o país está bastante atrasado em relação à alguns vizinhos da América Latina.

O autor nos apresenta uma visão de uma globalização hegemônica, onde apesar de integrar a sociedade, o processo de globalização é pautado por aspectos mercadológicos e ajuda por intensificar diferenças sociais por meio da tecnologia, do saber tecnológico e de um acesso mais fácil ao mundo que a internet oferece. Ele inclusive utiliza uma análise de algumas metodologias de inclusão digital como resultantes desse processo, quando se “auxilia” alguém para aprender como manejar computadores com intuito de inseri-lo no mercado de trabalho, além de os processos de inclusão dependerem e estarem diretamente ligados aos interesses comerciais de empresas desenvolvedoras de hardwares e softwares.

Programas como SO Linux “criado” em 1992 por Linus Torvald desempenham um papel fundamental dentro da inclusão digital, softwares livres, que são livres por terem o código fonte aberto, permitem que um trabalho comunitário sem intenções primariamente mercantilistas possam protagonizar e agir na vanguarda do processo. Os softwares livres são a esperança e a grande ferramenta na construção de uma real democratização do acesso aos meios digitais, barateando iniciativas públicas e privadas(âmbito pessoal), favorecendo interações que visem desenvolver novas soluções e não dividindo as possibilidades por critérios financeiros.

No universo cada vez mais marketeiro e fetichista da tecnologia, a utilização de códigos fonte abertos dão a esperança que realmente se possa atingir um patamar de inclusão digital plena, isso se os gigantes do setor permitirem.

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Last.fm uma rede social musical

O last.fm é um site de rádio online integrado com comunidade virtual voltada para a música, no ar desde 2002.

Ao criar seu perfil, você conecta um plugin sincronizado por seu aplicativo padrão para reprodução de músicas e lista informação compilada sobre todo o conteúdo que você ouve, artistas e músicas favoritas e estatísticas ficam registradas na sua página pessoal no serviço.

O last.fm também permite que o usuário possa consumir conteúdo através das rádios onlines disponibilizadas, baseadas no seu gosto pessoal. O sistema conta com um sistema de recomendações, que leva em consideração sua biblioteca e seu histórico de mais usadas, além da classificação por tags.

De acordo com os princípios propostos por Raquel Recuero para definir  conceito de rede social, o last.fm pode sim ser considerada como tal.

Você tem a possibilidade de criar um perfil com suas informações pessoais, expondo um pouco sobre sua personalidade. Existe a chance de se conectar com pessoas com gostos e ideias semelhantes, usando o sistema de tags ou compartilhamento dos mesmos interesses na biblioteca musical. Por meio de comentários em canções ou sobre artistas, e com o que fica registrado de seu histórico por meio do processo de scrobbling, links ficam salvos no site de modo permanente. O conceito de comunidade também está presente, com um sistema de fórum parecido com o que acontecia com o “finado” orkut, e também é possível deixar recados e enviar mensagens diretas para outros perfis, criando possibilidade de interações e o surgimento novas relações interpessoais.

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A Era do Streaming

Streaming, ou fluxo de mídia, é uma forma de transmissão de dados, principalmente sonoros e audiovisuais, em que tudo é transmitido diretamente pela internet sem que se faça necessário o download prévio, ou o armazenamento dos arquivos.

Os arquivos vão sendo reproduzidos conforme vão chegando para os usuários pela rede. Disponível desde os anos 90, a tecnologia demorou para emplacar devido as condições ruins das conexões. Com o crescimento e popularização da banda larga, sobretudo nos últimos dez anos, o serviço passou a ser cada vez mais utilizado e visto como uma possibilidade totalmente simples para facilitar o acesso à conteúdos multimídia.

Um aspecto que ajudou a popularizar o serviço, são as questões legais. Como não é feito nenhum download, e nenhum arquivo fica armazenado no computador do usuário, não existe violação de direitos autorais, nem configuração de pirataria.

YouTube: Mudança de paradigmas

Criado em 2005 por três ex-funcionários da também empresa de internet paypal , o site hoje pertencente à gigante Google, é sem dúvidas o grande expoente desse processo. Com o objetivo de transformar qualquer pessoa numa produtora de conteúdo, dona do próprio “canal”, a página é uma das mais visitadas da web atual, e ajudou a popularizar o streaming para o grande público.

Como funciona?

Atualmente, o streaming pode funcionar através de diversas tecnologias de internet, via cabo, rádio, ou fibra ótica por exemplo, e atualmente, até mesmo por meio de smartphones com 3G. Todas essas facilidades, aliadas à possibilidade do on demand, assistir qualquer coisa a qualquer hora, oferecem uma liberdade que ainda não havia sido experimentada. Agora é possível ter conteúdo de qualquer lugar do planeta, disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, com horários 100% livres, total liberdade de escolha e alta qualidade.

Essa tecnologia faz parte do conceito de “nuvem”, onde tudo fica disponível e armazenado em servidores conectados a internet de alta velocidade que permite a transmissão de arquivos de melhor qualidade mesmo para locais muito distantes.

Alguns serviços de destaque

Netflix e Hulu: Serviços pagos, que apostam em uma boa variedade de filmes e programas de tv. Atualmente o Netflix é a grande referência no mercado, e pode ser acessado em diversas plataformas, smartphones, tablets e até mesmo videogames.

Twitcam e Ustream: Serviços de transmissão ao vivo, online. Utilizados amplamente nos últimos anos, tem sido importante ferramenta de comunicação e facilitador da cobertura de eventos em tempo real, sobretudo por parte de grupos alternativos de mídia.

Rdio, Deezer e Spotify: Principais serviços de música, funcionam mediante pagamento mensal, e disponibilizam uma infinidade de canções que podem ser ouvidas através da internet, em diversas plataformas.

Leaguepass: Pacote on demand oficial da NBA, Liga Nacional de Basquete dos EUA, pode ser comprado de acordo com o interesse do usuário (temporada completa, jogos de uma equipe ou playoffs), multiplataforma, fornece acesso completo e irrestrito a todos os jogos da temporada, inclusive com jogos exclusivos, além da possibilidade de assistir posteriormente e de conteúdo especial.

HBO Go e Premiere Play: Serviços de web dos canais de tv a cabo HBO e Premiere FC do SporTV, oferecem aos assinantes a possibilidade de acompanhar a programação pelo computador, quando o assinante está longe de casa.

Chromecast: Hardware desenvolvido pela Google recentemente, transforma qualquer tv em uma SmarTV, dando suporte para qualquer tipo de transmissão audiovisual via streaming. Já está integrado com os principais serviços, YouTube, Netflix e Google Play Movies. Necessita apenas de um WiFi.

Popcorntime: Programa que apareceu recentemente, tem causado polêmica por ser uma espécie de Netflix pirata, disponibilizando séries e filmes totalmente de graça. Funciona apenas em computadores e exige uma conexão potente.

 

 

Fontes:

techtudo.com.br

tecmundo.com.br

gizmodo.com.br

tecnoblog.net

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Jenkins: A cultura da participação

Convergir significa confluir vários elementos em uma mesma direção. A base da Convergência para Jenkins não consiste apenas no aspecto tecnológico, de várias mídias (linguagens) dentro de uma mesma plataforma, mas sim à uma mudança no relacionamentos entre produtores midiáticos e consumidores, tendo em conta três elementos em destaque: convergência de mídia, cultura participativa e inteligência coletiva.

Dois termos se fazem necessários para um bom entendimento dos pensamentos de Jenkins, knowledge communities e affective economics, o primeiro versa sobre o que é elemento fundamental dessa cultura, comunidades que se unem, com a importante ajuda da construção do ciberespaço, para desenvolver seus conhecimentos sobre um produto midiático, buscando sempre ir além, formular teorias, descobrir spoilers, articulando-se entre si, os elementos dessas comunidades vão estabelecendo sua própria ética e mudando a dinâmica entre produtores e fãs.

O conceito de affective economics é exatamente a tradução literal de seu termo, é um processo de afeição profunda, uma lealdade entre consumidor e produto, que possibilita um retorno financeiro para os produtores de conteúdo. Uma nova forma de se fazer marketing, onde os fãs são agentes importantes na construção das “marcas”, esse engajamento do consumidor reflete em outro conceito abordado por Jenkins, o de transmedia stotytelling, que é a possibilidade oferecida pela convergência de uma obra se desenvolver em múltiplas plataformas, na minha visão, como resultado dos processos vistos anteriormente, a fidelização e a busca por desenvolver conhecimento por um produto, faz com os fãs se interessem por ampliar ao máximo as “fronteiras” que esse produto pode alcançar.

Em linhas gerais, a cultura participativa está relacionada à novas possibilidades, menos controle de quem produz, mais liberdade para quem consome, mais facilidade para uma fidelização mais intensa, tudo isso tornando-se possível graças a expansão da participação popular gerada pela internet.

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